Sua empresa gera riqueza… ou só dá trabalho?

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A equipe cresceu, cada setor tem um líder, o dinheiro até vem. E o dono trabalha cada vez mais, inclusive no fim de semana. "Meu Deus, como eu estou trabalhando. Cada vez eu trabalho mais" é a frase que Cris conta ouvir de empresários. Ela leva a uma pergunta: a sua empresa está gerando riqueza ou só está dando trabalho?

É com essa frase que começa a conversa dela com Fernando Campanholo, o Campa, no podcast Pausa Estratégica. Campa parte do motivo que leva alguém a abrir um negócio: mais lucro e mais liberdade. Foi assim com ele e com a Cris na primeira empresa. Ele queria não cumprir horário, viajar no meio da semana e ganhar mais. A realidade de muitos empresários, diz, é o contrário: a empresa cresce e o dono parece trabalhar cada vez mais.

Podcast Pausa Estratégica #008: Sua empresa gera riqueza… ou só dá trabalho?
Podcast Pausa Estratégica #008. Assista à conversa completa.

O que é uma empresa que só dá trabalho

Às vezes o retorno até é proporcional ao esforço do dono, e é esse tipo de retorno que preocupa Campa. Para ele, uma empresa é uma máquina, com equipe, processos e modelo de negócio, que precisa estar à disposição do dono para gerar recursos. Se ele carrega tudo nas costas, fica a pergunta: e no dia em que eu não estiver aqui?

Se a empresa depende da cabeça do empresário, ou de meia dúzia de pessoas que estão ali para dar comandos, ela dá trabalho. Cedo ou tarde tudo volta para o dono, e a rotina vira apagar incêndio. Cris completa: "Dar trabalho é quando é peso em cima das costas de um."

Do outro lado está o que Campa chama de estrategista, o dono que tem planejamento, processos e uma equipe que sabe para onde a empresa caminha. "O papel do empresário é definir o ponto B, criar o caminho para chegar lá e fazer com que toda aquela equipe, toda a estrutura percorra esse caminho", explica. O oposto ele chama, brincando, de empresidiário: o dono preso no operacional.

Os dois conhecem esse lugar. "Nossos primeiros anos de empresa foram isso. Quinze anos, pelo menos, de empresidiário, tocando a empresa com a própria força", conta Campa. A riqueza vinha, mas dependia do esforço deles. Cris lembra de chorar no banho, para ninguém ver: "Na frente da equipe a gente não pode chorar, na frente da equipe a gente não pode reclamar, mas no banho ninguém está vendo."

Empresa vendável: quanto ela vale sem o dono

Para Campa, empresa que gera riqueza é empresa vendável. Ele compara com uma casa e com um carro: quem compra não precisa do antigo dono para morar nem para dirigir. Com a empresa deveria ser igual: "Saiu você da tua cadeira, entrei eu na tua cadeira. Só isso." As pessoas sabem o que fazer, quando, como e por quê.

O valor de uma empresa não é medido pelo faturamento. O valor de uma empresa é medido pelo quanto a sua empresa vale sem você.

Campa

5 sinais de que a sua empresa só dá trabalho

Campa lista os sinais, começando pela rotina do próprio dono:

  • Tem coisa esperando você. Você fica uma semana ou 15 dias fora e, quando volta, encontra decisões paradas.
  • Qualquer probleminha vira crise. São os incêndios, e eles viraram rotina.
  • Não sobra tempo para pensar algo diferente. Assumir um projeto novo, testar, fechar com um novo fornecedor ou parceiro.
  • Estagnação. Olhe o faturamento dos últimos 12 e 24 meses. Se ele oscila e não sai da média, a empresa está estagnada.
  • Férias. Você consegue sair com o celular desligado, sem abrir e-mail nem WhatsApp?

Sobre as férias, Campa faz uma distinção. Ter uma ideia no descanso e mandar para a equipe não tem nada de errado. Errado é a caminhada na praia interrompida por pedido de desconto e máquina quebrada. "Aí você não está relaxando, está trabalhando na praia", diz. Cris conta que já viu empresários com 18 anos de mercado que nunca tiraram férias.

Incêndio na empresa não pode ser rotina

Incêndio vai acontecer: uma máquina quebra, alguém fica doente, alguém fura um prazo. "Incêndio não pode ser rotina", diz Campa. A regra que ele propõe é a do incêndio sempre inédito. Primeiro apaga. Depois, com tudo sob controle, entende por que aconteceu e o que fazer para não se repetir.

Isso depende de cultura. Na empresa que dá trabalho, o funcionário diz que o problema não é com ele. Na que gera riqueza, ele leva o problema ao líder já com duas ou três soluções. Cris lembra que a empresa contrata o cérebro da pessoa, além dos braços e das pernas.

Campa desfaz um mito: o do gerente contratado para resolver os problemas do setor. Para ele, líder existe para garantir que cada pessoa entregue resultado, melhore o desempenho e cresça na empresa. Quando o gerente vira o apagador de incêndio, o dono só passou o problema para o colo de outro.

Por que promover o melhor executor a gerente dá errado

O que impede a empresa de sair da zona do trabalho? Para Campa, começa por uma liderança fraca, de cima para baixo. Ele descreve os dois critérios mais comuns de promoção: o funcionário mais antigo e o que executa melhor. Quem recebe o convite pensa no salário e no status, e não que vai ter de sair da execução para liderar pessoas. O resultado, nas palavras dele: "Você acaba tendo operários caros na empresa e ninguém gerenciando." Quem acaba gerenciando é o dono.

Cris vê o mesmo quando conversa com os líderes das empresas que estão no Strats, o programa de reestruturação empresarial da Viva Positivamente: gente colocada no cargo sem preparo e, muitas vezes, sem que a equipe seja avisada. Para ela, a pessoa é demitida do cargo de executor e contratada no cargo de líder.

Não tem gente boa para contratar?

Falta de processo padronizado e equipe errada completam a lista. Sem processo, cada um faz do seu jeito: um produz 10, outro produz 3, e ninguém consegue replicar o que funciona. O comentário que Campa mais recebe nas redes é que abre vaga e não aparece ninguém. Para ele, é sinal de uma empresa que só gera trabalho. Cris traz o contraponto de dentro de casa: quando a Viva Positivamente abre uma vaga, chegam 120, 130 candidatos.

Cris conta o caso de uma líder de setor cuja equipe fazia hora extra havia dois anos para cobrir uma colega que aparecia uma ou duas vezes por semana. Para Campa, isso é uma cultura de aceitar pessoas erradas. Cris aponta o custo: "Quem aceita o problema diz para os ruins que aquilo que é errado é permitido dentro da empresa." Os bons percebem e vão embora.

A empresa vai para onde o dono está olhando

Outro freio é olhar só o curto prazo. Campa conta que aprendeu isso andando a cavalo: o cavalo vai para o lado que o cavaleiro olha. "A empresa vai para o lado que você está olhando", diz.

Na manhã da gravação, numa reunião estratégica, uma empresária do Strats contou que estava contratando gente para atender pessoa física, porque era o que vinha chegando. Campa perguntou qual era o foco, e ela respondeu que atendia os dois. "Não quero saber quem você atende, quero saber qual é o teu foco", ele insistiu. Era pessoa jurídica. Ela montava uma equipe para um cliente que não queria atender. Para Campa, muito incêndio nasce de dizer sim quando a resposta deveria ser não.

Faturamento não é patrimônio

O último ponto é medir a empresa pelo faturamento. Campa separa as duas coisas: o faturamento precisa gerar lucro, e é o lucro reinvestido que vira patrimônio. Sem isso, o dono não tem equity. Tem um esforço que depende dele.

Estou realmente deixando um patrimônio que vai ficar para os meus filhos, vai ficar para os meus netos, ou estou simplesmente trabalhando hoje para salvar meu mês?

Campa

É a diferença que ele faz entre o ocupado e o produtivo. O produtivo toma decisões que dão resultado no longo prazo. O ocupado resolve o momento. Cris diz de outro jeito: "Eu tenho orgulho de trabalhar inteligente."

Momentos do episódio

  • 05:07 Como saber se a empresa dá trabalho ou gera riqueza
  • 09:47 O que é uma empresa vendável
  • 18:47 Os 15 anos de Campa e Cris como empresidiários
  • 21:53 Os sinais de que a empresa só dá trabalho
  • 34:11 Liderança fraca e os critérios errados de promoção
  • 42:08 "Não tem gente boa para contratar"
  • 49:00 A empresa vai para o lado que o dono olha
  • 54:15 Faturamento, patrimônio e legado

Para continuar no assunto, leia também Empresário de Sucesso ou Empresidiário? Descubra qual é Você e O que impede a empresa de crescer?

Se a sua empresa cresceu e o resultado ainda depende do seu esforço, o convite do Campa no fim do episódio é fazer uma pausa estratégica e pedir uma Reunião de Diagnóstico com um especialista da Viva Positivamente, para entender se ela está no rumo da riqueza ou do retrabalho. Agende a sua reunião.

Ajudamos donos de empresa a ter uma empresa lucrativa que não depende deles para tudo.

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