Seu teto de faturamento não é sua capacidade de vendas

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O dono quer faturar mais e já sabe o que vai fazer: colocar dinheiro em tráfego e reforçar a equipe de vendas. A crença por trás é comum: não sobra mais dinheiro porque a empresa não vende o suficiente.

Na live Papo Estratégico, Fernando Campanholo, o Campa, faz uma conta só, a que, segundo ele, mais muda a decisão de investimento de uma empresa. Ele parte de um atendimento do Strats: uma empresária do ramo de serviços que faturava R$ 240.000 por mês e queria chegar a R$ 600.000. Ela pediu uma estratégia de tráfego e de equipe de vendas. Antes de responder, ele fez uma pergunta que ela nunca tinha se feito.

Live Papo Estratégico #001: Seu teto de faturamento não é sua capacidade de vendas
Live Papo Estratégico #001. Assista à live completa.

Toda empresa tem um teto de faturamento

Campa reconhece que algumas empresas de fato não vendem o que gostariam. Mas mostra o outro lado: "Toda empresa tem um teto, tem um limite, e esse limite não é venda". O teto é a capacidade de entregar aquilo que vendeu, com a estrutura que a empresa tem hoje.

Sem saber quanto consegue entregar, o empresário investe esforço no lugar errado. Monta a equipe, o pessoal começa a vender e alguém avisa que não dá para entregar. O resultado é frustração para o cliente, frustração para a equipe, horas de trabalho e dinheiro no lixo.

O teto também é a meta mínima. "Se eu estou vendendo abaixo desse teto, eu estou com uma parte da minha estrutura ociosa. Eu estou deixando muito dinheiro na mesa", diz.

A conta do ticket médio e da capacidade de entrega

Campa refaz na tela a conta que fez com a empresária. Começa pelo ticket médio, a soma de tudo o que a empresa vende dividida pela quantidade de vendas. O dela era de R$ 6.000. Os passos:

  • A meta de R$ 600.000 dividida pelo ticket de R$ 6.000 pede 100 atendimentos.
  • O faturamento médio de R$ 240.000 dividido por R$ 6.000 dá 40 atendimentos, o que ela fazia todo mês.
  • Ele perguntou quantos serviços ela conseguia entregar. A resposta da empresária, contada por ele: "Campa, eu estou quase no meu limite, eu vou conseguir entregar 10 serviços a mais no máximo".
  • Com mais 10, ela chegaria a 50 atendimentos. 50 vezes R$ 6.000: o limite da empresa era R$ 300.000.

Naquela realidade, a meta de R$ 600.000 era impossível. "Por isso que eu defendo que empresário tem que saber fazer essas contas o tempo inteiro", diz Campa. A empresária entendeu que valia colocar um pouco de dinheiro em tráfego para preencher o espaço entre os R$ 240.000 e os R$ 300.000. De 300 para 600, é preciso tempo para aumentar o que a empresa consegue entregar.

Como calcular o teto de faturamento da sua empresa

Campa propõe a mesma conta para qualquer empresa, com números de exemplo. Ticket médio de R$ 2.000 e estrutura para atender no máximo 100 clientes no mês: a capacidade de faturamento é de R$ 200.000. Se essa empresa fatura R$ 100.000, opera na metade da capacidade e poderia faturar o dobro com a estrutura que tem. Se já fatura R$ 190.000, a distância é pequena, e a realidade é outra.

Essa distância decide o próximo investimento. Longe do teto, o caminho é acelerar vendas, com marketing e estratégias de venda. "Função de empresário é buscar o crescimento que a empresa consegue atingir", afirma. "O teto não é o destino. Isso tem que ficar claro", diz Campa. Ele serve para decidir se o próximo passo é vendas ou capacidade.

Perto do teto: dá para cobrar mais caro?

A primeira pergunta de quem está perto do limite é se existe espaço para cobrar mais. Campa volta ao ticket de R$ 6.000: uma empresa que só consegue fazer 50 atendimentos tem o teto em R$ 300.000. Se o ticket sobe para R$ 8.000 e ela faz as mesmas 50 vendas, o teto vai para R$ 400.000. A equipe, o serviço e o jeito de entregar são os mesmos. Muda o jeito de vender.

Para isso, a empresa precisa responder à pergunta de todo cliente: por que eu deveria pagar mais para você? O empresário costuma dizer que é honesto, que faz um bom trabalho, que tem qualidade. "Isto é uma obrigação. Isso não é um diferencial", diz. "Diferencial é aquilo que o teu cliente enxerga como diferencial." Vendedor que não sabe responder volta dizendo que o preço está caro. Para Campa, "caro e barato é uma questão de percepção de valor".

O custo invisível que encolhe o teto

A segunda pergunta é se o custo para entregar está coerente com o preço cobrado. Em serviços complexos, de venda mais demorada e entrega mais difícil, o custo mais caro é a hora da equipe. É ali que Campa encontra o que chama de custo invisível. A estimativa era de 10 horas e a entrega levou 15. O cliente muda um pouco o escopo direto com a equipe, sem passar pelo comercial, e a empresa não cobra. Somam-se erro, atraso e retrabalho.

Tudo isso consome dinheiro e, o que para ele é mais importante, o limite de faturamento. Só com o preço no limite e a entrega ajustada chega a hora de ampliar a capacidade: mais pessoas, mais recursos, mais estrutura.

Quando o teto da empresa é o próprio dono

Na maioria das vezes, segundo Campa, o teto de entrega tem nome e sobrenome.

Pega tua carteira de identidade e olha lá aquele nome e aquele sobrenome. Geralmente é esse nome e esse sobrenome que trava o crescimento da empresa.

Campa

O dono aprova orçamento, negociação e escopo, corrige o que a equipe fez e entra nas maiores vendas. A capacidade da empresa fica limitada à agenda dele. Campa tem um nome para esse dono: empresário sol. A equipe, as decisões, os problemas e o cliente que só quer falar com ele ficam orbitando ao redor.

Se o teu tempo na empresa está sendo consumido para garantir que as coisas aconteçam, você está sendo o limite, você está sendo o teto da capacidade de faturamento da empresa.

Campa

Para destravar esse tipo de empresa, Campa apresenta o método que usa, com quatro pilares: processos padronizados, pessoas comprometidas, escala e o empresário. Cabe ao dono ajeitar os outros três. Quem contrata gerentes capacitados e consultoria sem mudar vê a mudança durar só enquanto as pessoas de fora estão ali. "Eu só falo o que eu vejo. Eu não falo o que eu acho", diz, sobre os empresários que o procuram depois de tentar esse caminho. A conclusão dele: "A mudança é de cima".

Momentos da live

  • 03:43 De R$ 240.000 para R$ 600.000: o caso
  • 07:39 A conta do ticket médio e do limite de entrega
  • 14:36 Perto do teto: há espaço para cobrar mais?
  • 19:50 O custo invisível da entrega
  • 24:01 O nome e o sobrenome do teto de entrega
  • 26:28 Os quatro pilares

Leia também Por que o cliente deve comprar de você? e Não adianta só crescer. Precisa fazer a empresa não depender de você para tudo.

O Papo Estratégico acontece toda terça, ao meio-dia, com um tema por edição. Receba o aviso das próximas lives.

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