Por que alguns empresários multiplicam dinheiro e outros só trabalham mais?

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O dono trabalha cada vez mais, a empresa fatura, e o dinheiro não acompanha. Fica parado na conta, vai embora em juro de empréstimo ou se mistura com as despesas de casa. Enquanto isso, outros empresários parecem fazer o dinheiro trabalhar para eles. O que interessa é a diferença entre os dois.

Campa e Cris conduzem a conversa do podcast Pausa Estratégica com o que veem nos empresários que acompanham e com o que viveram nas próprias empresas. O convidado é Celso Fukushima, educador financeiro, investidor e mentor na área de finanças e investimentos, conhecido como o campeão das finanças. Também é empresário: abriu a primeira empresa, de tecnologia, aos 19 anos.

Podcast Pausa Estratégica #030: Por que alguns empresários multiplicam dinheiro e outros só trabalham mais?
Podcast Pausa Estratégica #030, com Celso Fukushima. Assista à conversa completa.

O que fazer com o dinheiro que sobra no caixa

É Cris quem abre o assunto. "Eu acho que dinheiro atrai dinheiro", diz, e pergunta se o empresário consegue multiplicar também fora da empresa o dinheiro que fez com o próprio trabalho. Celso responde que sim, e começa pelo que Campa e Cris defendem: "O jeito mais incrível de ganhar dinheiro no planeta é exatamente a tua empresa crescer". O que sobra no caixa, segundo ele, não deveria ficar parado.

Campa entra com o que vê na prática: o dono senta com o gerente do banco e pergunta onde aplicar. "Nem sempre o gerente vai te oferecer aquela solução que é melhor para você", diz. Celso explica que gerente e assessor são comissionados pelos produtos que vendem. A conclusão de Campa é sobre postura, e não sobre produto financeiro: o dono não deve ficar na mão de nenhum dos dois. "Importante buscar esse conhecimento, procurar entender, para não cair em canoa furada."

13º e férias são despesa do ano inteiro

Cris traz uma situação comum: entrou um dinheiro grande no começo do ano e o dono sabe que vai precisar dele lá no fim, para 13º e férias. Campa completa a pergunta com um ponto de gestão. "Se eu tenho uma gestão financeira profissional da minha empresa, eu estou fazendo minimamente duas coisas", diz: a depreciação dos ativos e a provisão das despesas certas ou quase certas. E desfaz uma confusão frequente: "13º é despesa de novembro, de dezembro? Não é. É despesa do ano inteiro".

Vale o mesmo para férias, seguro do carro e o computador que um dia será trocado. Quem reserva esse valor mês a mês pode fazê-lo render até a data de usar. Celso dá o lado técnico e um alerta: olhar o prazo mínimo de permanência para não ficar com o dinheiro preso.

Cris conta que, no começo das empresas dos dois, o gerente apareceu oferecendo empréstimo para pagar o 13º. Para ela, o certo é o contrário: "É o ano inteiro fazendo a provisão, para quando chegar a época de pagar você já ter o dinheiro". Em vez de pagar juro, a empresa recebe.

CPF e CNPJ no mesmo bolo

Campa chama de CPF/CNPJ o hábito de misturar o dinheiro do dono com o da empresa. "O camarada vai lá, pega dinheiro do caixa para pagar a escola de filho, pega o cartão pessoal para pagar a despesa da empresa e é um bolo só", descreve. Desse jeito, diz, não há como crescer em nenhum dos lados.

Na gestão profissional, explica, a remuneração pelo empenho do dono é o pró-labore, aquilo que ele vale para a empresa. O ganho do empresário é outra coisa: o lucro apurado no fim do exercício, com a decisão de quanto retirar e quanto reinvestir.

Celso chama de reserva da tranquilidade o dinheiro guardado para as eventualidades, uma para a pessoa física e outra para a jurídica, e fala também de uma reserva de oportunidade. Campa completa: "Não é sorte. Eu só estava preparado para algo que surgiu na minha frente". E lembra: "Nós já tivemos empresa que quebrou, quebrou logo no começo, não deu um ano de vida". O que aconteceu com ele depois disso? Nada.

Empresa pode quebrar? Pode. Agora, eu não posso quebrar.

Campa

Empresa endividada: qual dívida é o problema

Cris leva a conversa para o que tem visto chegar: empresas endividadas, um movimento que, segundo ela, se acentuou em 2026. Campa pede cuidado com a palavra. Quem construiu um pavilhão novo e paga as parcelas por cinco ou dez anos se diz endividado, mas está investindo no negócio. Outro caso é o de quem está "endividado ao pé da letra", sem conseguir pagar as contas.

Ele conta um episódio da primeira empresa. Precisava de dinheiro para um projeto e participou de uma rodada de negócios com investidores. Um a um, eles ouviam e iam embora, até que um senhor gostou da ideia e perguntou se ele tinha casa própria. Campa tinha um apartamento, que cobria o valor. A resposta: vende o apartamento e toca o negócio. Campa disse que não dava, era o único bem que tinha, e o senhor não investiu. O motivo: se ele confiasse no projeto, colocaria o imóvel nele. "Eu não conhecia um décimo do que eu conheço hoje como empresário", reconhece.

Celso tira dali uma frase que repete aos mentorados: "Problema de falta de dinheiro não se resolve com mais dinheiro. Problema de falta de dinheiro você resolve com criatividade". Campa leva a ideia para dentro da empresa: o que o cliente está pedindo e o dono não está olhando? Muitos insistem no que já não dá resultado. A avó dele dizia que quem planta melancia colhe melancia.

"Não tenho dinheiro para investir na empresa"

Cris apresenta ao convidado uma situação que os dois conhecem. O empresário diz que a equipe não está comprometida, que precisa de processos, que perde dinheiro no dia a dia, e termina assim: hoje eu não tenho dinheiro para investir. Celso responde com a história do lenhador que não para de cortar a árvore para afiar o machado.

Para Campa, a conta é simples. A equipe que se sente injustiçada um dia vira ação trabalhista, e ele cita a de um cliente, de 120 mil. A empresa sem processo erra na apuração de tributo e um dia recebe a multa. Nessas horas, ninguém diz ao juiz ou ao fiscal que não tem dinheiro.

Você escolhe: ou invisto em arrumar a minha empresa, evitar um prejuízo, ou escolho pagar o prejuízo. Tudo são escolhas.

Campa

Cris estende o raciocínio ao tempo, igual para todo mundo: "Você escolhe onde você põe o teu tempo no teu dia".

Investir em conhecimento rende mais

Celso ensina uma divisão da renda pessoal em que 10% vão para educação. Campa pega o gancho: "Eu e a Cris, minimamente por ano a gente põe um valor de um apartamento em educação, em conhecimento". Qualquer pessoa diria para comprar o imóvel e ganhar com aluguel. "A gente coloca em educação porque rende muito mais."

Ele lembra a pergunta de um empresário no primeiro evento aberto que realizou: se desse tudo errado e fosse preciso recomeçar, o que faria? Campa respondeu que daria um jeito de comprar uma enxada, bateria de casa em casa oferecendo a limpeza do lote e, com o que ganhasse, compraria um celular com internet para vender o que sabe. "Conhecimento ninguém me tira", diz.

Para que serve ganhar mais dinheiro

Campa conta que um amigo perguntou qual é a grande meta da vida dele, e que respondeu: tornar-se bilionário. O motivo é o propósito: ele acredita que o Brasil tem tudo para ser uma nação forte e que isso passa pelos empresários. "Somos nós que geramos a grande renda para o Brasil", diz. A meta, para ele, é apenas um parâmetro: o sinal de que ajudou muitos empresários, que por sua vez transformam a vida de muita gente.

Cris concorda: "Dinheiro não é para a gente ser arrogante na frente dos outros. Dinheiro é para a gente melhorar o mundo".

É daí que vem o que os dois defendem para qualquer negócio. "Toda empresa tem obrigação, sim, de crescer, tem obrigação de dar lucro e tem obrigação, especialmente, de dar liberdade para o empresário", diz Campa. Quando a empresa não depende do dono, ele usa a cabeça para pensar em estratégia e em novos negócios. Celso, que chama os dois de amigos e mentores empresariais, conta o que leva da convivência: "Eu olho para vocês e falo: é essa a mentalidade que eu quero".

Momentos do episódio

  • 10:17 O dinheiro que sobra e o gerente do banco
  • 14:47 Provisão e depreciação
  • 19:09 CPF/CNPJ no mesmo bolo
  • 35:30 O investidor e o apartamento
  • 41:14 Arrumar a empresa ou pagar o prejuízo
  • 55:16 Um apartamento por ano em conhecimento
  • 1:07:15 A meta de vida de Campa

Para continuar no assunto, leia também Como Cuidar das Finanças da Empresa e Empresário deve Investir em Conhecimento? Entenda.

Se a sua empresa tem equipe, fatura e você sente que o resultado poderia ser outro, mas não sabe onde está o gargalo, o convite do Campa no fim do episódio é fazer uma Reunião de Diagnóstico com um especialista da Viva Positivamente. Agende a sua reunião.

Ajudamos donos de empresa a ter uma empresa lucrativa que não depende deles para tudo.

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