Ocupado ou produzindo resultado? A verdade que ninguém conta aos empresários
O dono atendeu cliente bravo, tirou dúvida da equipe, respondeu mensagem, saiu de um incêndio e entrou em outro. À noite, cansado, pensa em quanta coisa fez e não consegue apontar o resultado que aquilo trouxe para a empresa. Essa é a diferença entre estar ocupado e produzir resultado.
No podcast Pausa Estratégica, Campa e Cris conduzem a conversa com o que viveram na primeira empresa deles e com o que veem nos empresários que acompanham hoje. A convidada é Tathiane Deândhela, empresária, palestrante internacional e especialista em produtividade e comunicação. Ela estuda o tema há mais de 15 anos, palestrou duas vezes em conferências na Universidade de Harvard, tem mais de 30.000 alunos e escreveu três livros, entre eles "Faça o tempo trabalhar para você".

Trabalhar duro não é o mesmo que produzir
Campa parte de uma crença comum: a de que trabalhar duro é o caminho do sucesso. "Trabalhar duro, muitas vezes, as pessoas substituem com trabalho burro. Que é o quê? Repetir coisas que não funcionam", diz. E pergunta a quem pensa em trabalhar 16, 20 horas por dia: até quando vai aguentar?
Ele conhece esse lugar. Na primeira empresa dele e da Cris, o trabalho ia de domingo a domingo, com um filho pequeno em casa. Tathiane viveu o mesmo, em fases de 15 horas por dia, de segunda a segunda, sem resultado.
Cris tem um nome para isso. "Roda de rato é aquela pessoa que faz, faz, faz o dia inteiro, chega no final do dia, está cansado, está esgotado, mas não viu produtividade naquilo ali", diz.
Trabalhar de forma inteligente é a gente preparar as pessoas para performar, para trazer os resultados que a gente sozinho talvez até consiga, mas a gente é limitado, a gente vai até um ponto.
Campa
"Não tenho tempo" é questão de prioridade
Quando Campa e Cris sugerem que o dono pare um pouco para redesenhar a empresa, a resposta costuma ser a mesma: não tenho tempo. Campa conta que uma parte dos empresários que entram nos programas deles não faz o que precisa ser feito, e a justificativa é essa. É como o paciente que volta ao médico com dor de cabeça e explica que não tomou o remédio porque estava com dor de cabeça.
Cris lembra que não são empresas pequenas: têm vários setores e muitos líderes, e o mais sobrecarregado de todos é o dono. Tathiane diz aos empresários que atende: "Você está tão ocupado com tantas coisas que não está tendo tempo para ganhar dinheiro".
Campa viveu a cena no Strats, o programa de acompanhamento para empresários. Um participante pediu uma reunião para dizer que não conseguia seguir o plano por falta de tempo. Campa conversou até completar 30 minutos e perguntou se alguma coisa tinha caído na empresa nesse intervalo. Nada tinha caído.
Você pode parar meia hora para algo que você acha importante, desde que você priorize. Tempo é uma questão de prioridade. Se eu priorizo, eu arrumo tempo.
Campa
Como parar de apagar incêndio na empresa
Tathiane conta que um aluno dela, comandante do Corpo de Bombeiros, surpreendeu a turma: o que os bombeiros menos fazem é apagar incêndio, porque passam quase todo o tempo na prevenção. Campa reconhece ali o que responde aos mentorados quando perguntam qual é o melhor jeito de apagar incêndio: "Não deixa pegar fogo". É ir na causa.
"Incêndios vão ter na empresa. Mas o que não pode é ter a segunda vez o mesmo incêndio, porque é sinal que você negligenciou", diz Campa. Pegou fogo, apaga. Depois é entender por que pegou e evitar que aconteça de novo.
Cris mostra o custo: o empresário que vive de apagador de incêndio gasta o tempo "resolvendo coisas que nem era para ele resolver". Quando isso vira vício, cai a produtividade dele, a da empresa e a capacidade de gerar dinheiro. Campa recusa até a palavra. Quando perguntam como vai a correria, responde: "Não tem correria. Tem uma agenda cheia, mas não tem correria. Correria é coisa de gente desorganizada, na minha opinião".
Interrupção, o ladrão de tempo que leva horas do dia
Campa pergunta a Tathiane o que o empresário pode fazer para ser mais produtivo. Ela começa pelo diagnóstico: mapeou mais de 28 ladrões do tempo, e o chefe da quadrilha é a interrupção. Segundo um estudo que ela cita, a cada troca de tarefa a pessoa leva de 7 a 14 minutos para retomar a concentração. Nas grandes empresas em que fez o mapeamento, a média foi de 27 interrupções por dia, o que na conta dela dá cerca de quatro horas.
Campa lembra que aquelas eram empresas com executivos treinados para performance. E o empresário com 10, 20, 30 funcionários, acostumado a resolver tudo? "Ele deve ter muito mais do que 27 interrupções. E mais: geralmente as interrupções dele são urgentes", diz. As saídas que Tathiane aplicou:
- Acordo de convivência. Mostrar os números à equipe para que todos entendam quanto a interrupção custa.
- Sinalização. Verde na mesa, pode interromper com moderação. Vermelho, só em caso de vida ou morte.
- Pauta única. Em vez de levantar cinco vezes, a pessoa anota os assuntos e resolve todos em uma reunião marcada.
O que fazer com quem não entrega resultado
Cris pergunta: o que fazer com uma pessoa que hoje não entrega resultado, mas que ajudou muito a empresa dois ou três anos atrás? Tathiane, que tem 50 colaboradores, admite que errou muito mantendo gente assim. "A melhor forma de você ser humana é você cobrar resultado", diz.
Campa concorda: manter um é sacrificar os outros 50. Para ele, a função do empresário é dar oportunidade, e Cris completa que manter essa oportunidade é com o colaborador, dando resultado para a empresa e para os colegas.
O pior, segundo ele, são os dois recados que a tolerância manda. Ao malandro, o de que vale tudo. E aos bons: "Não vale a pena você ser bom. A empresa não faz distinção do bom e do mau". Quando o dono menos espera, o bom pede para sair. Diz que é pelo salário, mas o que incomoda é o ambiente.
Quatro horas para desenhar um processo
Tathiane contratou Campa e Cris para cuidar dos processos da empresa dela. Quando a reunião com Campa disputava agenda com outras atividades, a ordem dela ao time era: "Prioridade aos processos, porque é isso que vai nos fazer ganhar mais tempo". Ela admite que não ama o assunto, e Campa responde: "A criança tende a fazer o que gosta. O adulto faz o que precisa". Cris chama processo de serviço de preguiçoso: pensa-se uma vez em como fazer e ninguém precisa pensar naquilo de novo.
Campa conta o caso de um dos primeiros alunos dos cursos presenciais, dono de uma indústria. Todo dia ele passava duas horas na logística coordenando caminhão e máquina, e dizia que era o feeling dele. Campa insistiu que feeling também se põe no papel, até que o empresário investiu quatro horas para desenhar o processo. No dia seguinte ficou as mesmas duas horas acompanhando a equipe seguir o processo. Depois, nunca mais.
Uns 90 dias depois, Campa fez a conta das horas poupadas e disse a ele: "Eu invisto em bolsa de valores, invisto em empresas, invisto em negócios e nunca tive um retorno tão grande quanto essas quatro horas".
Treinar a equipe e se fazer entender
Há dono que não treina porque a pessoa treinada vai embora. Campa devolve a pergunta: e se ela não for treinada e ficar na empresa, incompetente? Ele também desmonta o raciocínio de quem faz dez por dia e não ensina porque o outro faria oito: três pessoas entregando oito rendem muito mais do que o dono, que se matando chegaria a 12.
Campa pergunta à convidada se todo empresário deveria ser palestrante. Ela diz que sim, a começar pelo próprio colaborador. Ele vê um efeito a mais: "Um dos maiores problemas que eu vejo em todas as empresas é comunicação falha, a falta de clareza". Quem aprende a montar uma palestra, diz, resolve no mínimo a queixa de que ninguém o entende.
Momentos do episódio
- 04:11 Nem o Corpo de Bombeiros vive de apagar incêndio
- 17:42 O que fazer com quem já ajudou muito e hoje não entrega
- 26:56 Os ladrões do tempo e o custo de cada interrupção
- 38:05 O empresário sem tempo e a reunião de 30 minutos
- 40:36 O mesmo incêndio não pode acontecer duas vezes
- 49:12 As quatro horas que um aluno investiu num processo
- 57:25 Comunicação falha e por que o empresário deveria palestrar
Para continuar no assunto, leia também Como ter um bom gerenciamento de tempo? e Incêndios na empresa – Não queira eliminar como a Angela.
Tathiane diz que tudo começa por um diagnóstico, e Campa aproveita a palavra para o convite do fim do episódio. Se você faz o possível e o impossível e a empresa não cresce, o caminho é uma Reunião de Diagnóstico com um especialista da Viva Positivamente. Agende a sua reunião.



