O que é a Pausa Estratégica e por que ela pode mudar sua empresa

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O dono chega primeiro, sai por último e passa o dia respondendo pergunta de funcionário. Faz o trabalho que era da equipe e fica sem uma hora para pensar para onde a empresa vai.

Para Fernando Campanholo, o Campa, as queixas de sobrecarga têm a mesma origem. "É justamente por falta dessas pausas estratégicas, falta de olhar com atenção para o negócio, olhar para a rotina, olhar para o que está acontecendo, olhar para o caminho, para onde a gente vai", diz ele. Ao lado dele, Cris conta o que os dois viveram na própria empresa. É nessa conversa que eles explicam por que o podcast Pausa Estratégica existe e de onde vem o nome.

Podcast Pausa Estratégica #001: O que é a Pausa Estratégica e por que ela pode mudar sua empresa
Podcast Pausa Estratégica #001. Assista à conversa completa.

O que é a pausa estratégica

É o tempo que o dono reserva para pensar o negócio em vez de tocar o negócio. Campa descreve o piloto automático: o empresário baixa a cabeça, faz o que tem que fazer e não pergunta qual é o rumo, quais são as metas, que resultados quer. Cris diz para que a pausa serve: melhorar a empresa, aumentar a lucratividade e fazer as pessoas trabalharem cada vez melhor sem depender de uma única pessoa dando comandos.

Empresa que funciona sem depender do dono parece utopia para muita gente. Campa responde com os grandes negócios, cheios de filiais: é impossível o dono estar em tudo. Tem gerentes, é verdade. "Mas antes disso acontecer, ele fez pausas estratégicas para pensar como isso poderia rodar sem a presença dele."

Campa lembra a história dos dois lenhadores numa competição: o mais novo corta sem parar, o mais experiente para, afia o machado e ganha. É o retrato do empresário que toca pela força bruta uma empresa de 50 ou 100 funcionários, do jeito que fazia quando começou.

Por que quanto mais gente, mais o dono trabalha

Campa e Cris falam de dentro. A primeira empresa dos dois é de 1993. "Eu acreditava de verdade que ser empresário era: baixa a cabeça, faz o que tem que fazer, é o primeiro a chegar. Eu tinha orgulho de chegar antes de todo mundo, de ligar as luzes, de arrumar o café, de abrir as janelas", conta Campa. Parar no meio do dia para pensar era impensável. O que a equipe ia achar?

Cris tinha outra vergonha: alguém perguntar e ela não saber. "Eu tinha que ser o Google da empresa, eu tinha que ser a pessoa que mais sabia." A equipe esperava a resposta dela para agir, os dois se sobrecarregavam e contratavam mais. "Quanto mais gente a gente tinha dentro da empresa, mais a gente trabalhava", diz. Chegou a ter dez pessoas na sala deles fazendo pergunta.

Houve um ano, com o filho ainda pequeno, em que os dois tiraram férias separados, cada um num período, porque a empresa parava se saíssem juntos. E achavam normal.

Empresa de verdade ou autônomo com CNPJ

Campa define empresa como uma estrutura, uma organização e pessoas à disposição para produzir e entregar resultado. Trabalhar sozinho, como autônomo, é uma escolha legítima. Ele só não vê sentido em contratar gente e continuar agindo como se estivesse sozinho.

O desvio começa cedo, nas primeiras contratações, quando a ideia é "vou contratar alguém para me ajudar". Campa dá o exemplo do mecânico que abre uma oficina de caminhões. Precisa emitir nota, contrata alguém. Chega mais cliente, contrata alguém para o atendimento. E segue sendo o mecânico, cercado de ajudantes, sem treinar ninguém para assumir o trabalho mais complexo. Cris chama o resultado de síndrome do lençol curto: o dono cobre o comercial e descobre a instalação, cobre as compras e descobre o financeiro.

O olho do dono engorda o boi?

Campa diz que o empresário que repete essa frase tem razão: na empresa dele, quando ele não está, as coisas não acontecem. É assim porque o negócio foi montado assim, sem treinamento, sem responsabilidades definidas, sem processos, sem indicadores. Caixa não fica solto quando há fechamento de caixa, nem estoque quando há gestão de estoque.

O que engorda é a gestão e as estratégias. Não é ficar olhando o boi.

Campa

Ele também desmonta a ideia de que ser exemplo é ser quem mais trabalha. Exemplo é quem a gente admira, e ninguém admira o chefe que trabalha feito maluco. O funcionário sem compromisso pensa "que trouxa". O bom colaborador sente pena. Cris completa com uma frase que repete sempre: "Líder que é líder facilita a vida dos seus liderados."

O papel do empresário é levar a empresa ao ponto B

"O principal papel de um empresário, para mim, é esse: levar a empresa até o ponto B", diz Campa. Ponto A é o faturamento, o lucro e os resultados de hoje. Ponto B é onde ele quer chegar e quando. Manter a empresa rodando cabe a uma equipe comprometida e a processos padronizados, os dois primeiros pilares do método deles. O terceiro é escalar.

O empresário tradicional é o Sol do universo: manda, distribui tarefa, cobra e controla. O estrategista está em pausa estratégica o tempo inteiro. Melhora processos, acompanha taxa de conversão, custo do lead, ticket médio e CMV, e decide o que dá mais lucro e mais produtividade. Dar ou não um desconto, mandar arrumar a máquina de café: isso não é decisão de estrategista, é critério.

Tarefa não é responsabilidade

"Responsabilidade é quando você zela por algo, zela para que algo aconteça", explica Campa. Tarefa é "atender os clientes que chegam". Responsabilidade, no exemplo de números que ele dá, é garantir que de cada dez clientes que entram, pelo menos cinco fechem negócio.

Ele conta o caso de uma participante do Strats, dona de oficina. A funcionária encarregada das peças fazia o pedido e, se o fornecedor atrasava, considerava a parte dela cumprida. O carro ficava preso no elevador, e o cliente, esperando. A descrição do cargo foi reescrita: garantir as peças em tempo hábil, com a métrica de uma hora depois do pedido. Cada atraso passou a ser registrado. A oficina nunca mais parou por falta de peça.

"Não tenho tempo": a conta das 6 horas

Quando Campa pergunta qual recurso o empresário mais quer, a resposta é tempo. É também onde ele mais encontra resistência, inclusive entre quem entra no Strats. "Para eu ter mais tempo, eu tenho que investir meu tempo. Só que investir o meu tempo do jeito certo."

O caso que ele traz é o do diretor de uma indústria que descia todo fim de dia até a expedição para organizar a rota das entregas. Duas horas por dia. Campa insistiu até ele colocar no papel os critérios que só existiam na cabeça dele. Foram 4 horas para documentar e mais umas 2 acompanhando a equipe no dia seguinte. Ele nunca mais precisou ir à expedição. Investiu 6 horas e passou a economizar 44 por mês, 528 por ano.

Qual é o investimento que você conhece que eu boto seis e ganho 44? Investi em tudo que é coisa já, bolsa de valores, imóveis, empresa. Não conheci nada assim.

Campa

"Não é gastar tempo, é investir tempo para você ter vida", diz Cris. O maior orgulho dela no trabalho dos dois é devolver os pais para os filhos.

Como começar a fazer pausas estratégicas

A ferramenta está no celular: a agenda. "Coloca na agenda: deste horário até esse horário é minha pausa estratégica. Não precisa muito no começo. Pega meia hora. Não dá? Quinze minutos. Mas cria esse hábito", orienta Campa. Depois, combine com a equipe. Naquele horário, só interrompe quem tiver um incêndio de verdade. O resto espera meia hora.

O hábito que vem junto é dizer não. Cris lembra que incêndios acontecem em qualquer empresa, e o problema é quando viram rotina. Campa ouve muito "eu aguento" de quem se acostumou e resume o que vê: "Sim para a equipe, sim para cliente, sim para fornecedor, sim para todo mundo, menos sim para a vida." O desafio que ele deixa no fim do episódio é abrir a agenda e bloquear o primeiro horário.

Momentos do episódio

  • 05:13 Como Campa e Cris pensavam na primeira empresa, em 1993
  • 12:59 O erro das primeiras contratações e o exemplo do mecânico
  • 14:56 A história dos lenhadores e do machado afiado
  • 17:35 O olho do dono e o que engorda o boi
  • 27:50 Ponto A e ponto B: o papel do empresário
  • 36:53 A diferença entre tarefa e responsabilidade
  • 44:23 O caso da rota: 6 horas investidas, 44 economizadas por mês
  • 49:59 Como começar: um horário bloqueado na agenda

Para continuar no assunto, leia também É o Olho do Dono que engorda o boi? (Para Empresários) e Como Delegar de Forma Eficaz.

Se na sua empresa tudo ainda passa por você e não sobra meia hora para pensar o negócio, o convite do Campa no fim do episódio é conversar com um especialista da Viva Positivamente em uma Reunião de Diagnóstico, para entender as dificuldades e apontar um caminho. Agende a sua reunião.

Ajudamos donos de empresa a ter uma empresa lucrativa que não depende deles para tudo.

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