Casal e Empresa: como alinhar casa com o que se constrói no negócio

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Marido e mulher tocam a mesma empresa. A discussão que começou no escritório vai junto para casa, o assunto do jantar é só trabalho, e um dos dois sente que carrega o negócio sem ser visto. Em algum momento vem a dúvida: dá para ter uma empresa juntos sem destruir o casamento?

No podcast Pausa Estratégica, Fernando Campanholo, o Campa, e Cris falam de dentro: são casal, são sócios e estão casados desde 1993. A convidada é Carla Costa, mentora de casais empresários, que trabalha para que eles tenham alto padrão e alta performance na vida pessoal, conjugal e empresarial. Campa a apresenta como mentora dele e da Cris. Casada há 20 anos, ela também é empresária, como o marido.

Podcast Pausa Estratégica #022: Casal e Empresa: como alinhar casa com o que se constrói no negócio
Podcast Pausa Estratégica #022, com Carla Costa. Assista à conversa completa.

Casal pode ter empresa junto sem destruir o casamento?

Campa conta que muitos casais dos programas da Viva Positivamente são sócios, e que essa é uma das perguntas que eles sempre fazem. Carla responde que, além de possível, a sociedade pode se tornar estratégica. A frase que ela mais escuta é "Ou a gente acaba a sociedade ou o casamento vai acabar". Campa, que é mentor de empresários e não de casais, diz que também ouve muito isso.

Sociedade de casal também precisa de regras

"A maioria dos empresários, quando abre uma empresa, seja com sócio, seja sozinho, mas especialmente com sócio, não para para definir limites, definir regras, definir combinados", diz Campa. É o que ele chama, brincando, de negócio de compadre. Entre marido e mulher, cada um toca uma parte, sem combinado nenhum, até o primeiro desentendimento.

Briguei com o meu sócio de fora, ele vai para a casa dele, eu vou para a minha, está tudo certo. Mas eu vou para casa com a minha esposa, ela vai para casa com o marido. E aí, como é que fica? Aquela briguinha do negócio muitas vezes vai para casa junto, aquela briguinha de casa vai para o negócio junto.

Campa

Cris descreve o que acontece quando o casal tenta esconder a briga para os filhos não verem. Ela vai para casa "dentro da bolsa da mulher, dentro da mochila do marido", e fica lá. "Aquele monstrinho fica cada vez maior", diz, até o sapo engolido virar um problema grande.

Quem manda na empresa do casal

Segundo Campa, a confusão aparece já na hora de montar o organograma: quem é o cabeça do negócio, quem responde por quê. Por isso, quando ele começa a organizar uma empresa, parte dos papéis. "Vamos definir papéis. Qual é o meu papel? Qual é o teu papel?"

Ele vê dois cenários. Quando os dois são fortes, vira guerra de poder. Quando um é submisso, aceita e engole. Campa achava que normalmente era a mulher quem cedia e viu, atendendo casais empresários, que o inverso também acontece. Quem cede passa os dias fazendo algo de que não gosta, isso repercute no casamento e volta para a empresa.

Cris fala como mentora de líderes: "Se você não se posiciona, se você não tem voz, se você não tem opinião, você não tem nada para oferecer para o mundo".

Sócios que discordam: o combinado do "me convença"

Muita gente pergunta se os dois brigam na empresa, esperando ouvir que não. "A realidade é que a gente quebra o pau valendo", diz Campa. "E eu gosto disso." Ele fala de ideias: cada um tem as suas e o seu ponto de vista, e isso evita muito erro. Muitas vezes ele chega com uma ideia que acha genial e a Cris derruba, ou o contrário.

Qual é o nosso combinado? Me convença. Não é não e pronto, não porque não quero. Me convença. Eu tenho esses dados para dizer que essa ideia é boa, mas eu tenho esses dados para dizer que a ideia não é boa. Aí é fácil chegar num consenso.

Campa

Carla dá nome ao que sustenta esse combinado: clareza. O erro comum, segundo ela, é outro. "Um quer treinar o outro. Um quer educar o outro." Ela propõe sentar, dizer o que é importante para cada um e reconhecer o potencial de cada um, para que as diferenças somem.

Quando quem toca a empresa fica embaixo no organograma

Cris traz um exemplo que ouve muito, e avisa que ele também acontece com os papéis trocados. O melhor profissional do ramo abre a empresa e, anos depois, chama a esposa para largar a profissão e trabalhar com ele. Ele continua no operacional. Ela cuida de compras, de RH, dos boletos, da gestão e da equipe. "E aí, quando ele vai apresentar ela para alguém, ele diz assim: 'Ela é minha secretária'", conta Cris.

Campa viveu a cena com um casal, na construção do organograma, uma das primeiras etapas do trabalho. O marido aparecia como diretor e a esposa, muito competente, como gerente abaixo dele. Campa foi perguntando quem fazia cada coisa: contratações, faturamento, cobrança, compras, treinamento da equipe. A resposta era sempre ela. No fim das perguntas, o desenho tinha se invertido, porque era o que acontecia na prática.

O ponto, para ele, não é o cargo. "A questão é dar a devida importância para as pessoas que estão ali, valorizar o que as pessoas estão fazendo", diz, principalmente quando é a sócia e a esposa. O que atrapalha é o ego. Com a Cris ele resolve assim: o que ela sabe tocar muito melhor do que ele, ela toca, e ele participa com opinião. Cris deixa a pergunta: "Se o empresário se abaixa, se a empresária se abaixa, se contentando em cargo mais baixo, quem vai ocupar o lugar de direção?"

Ninguém adivinha o que você quer

Carla conta que passou anos esperando flores do marido sem nunca ter dito que gostava. Campa ouve a mesma história de empresários, casais ou não: o dono reclama que ninguém enxerga o que precisa ser feito. Ele pergunta se isso foi dito à pessoa, e a resposta costuma ser que ela tinha que saber.

"O maior problema que eu vejo em empresas de qualquer porte, de qualquer ramo, de casais ou não casais, é a falta de comunicação, é a falta de deixar claro o que tem que acontecer", diz. Na empresa, a clareza vem dos números: quem foi contratado para uma função precisa saber que indicadores entrega no fim do período.

Por que a empresa bate no teto de faturamento

Campa conta que, anos atrás, chegava a um teto de faturamento e não passava. Negócio pequeno ele fechava com facilidade. "Se era um negócio maior, eu chegava às vezes na frente da empresa do cara, ia embora", lembra. Até perceber que eram crenças: cresceu ouvindo que dinheiro não traz felicidade e, lá no fundo, achava que não merecia.

Hoje ele vê o mesmo em casais que não combinam em casa o que querem, sejam as férias do fim do ano ou a reforma da casa: quem não tem isso em casa acaba não tendo na empresa. E tem escutado de casais sócios o medo de brigar se a situação financeira melhorar. Carla explica que, no casal, normalmente um empurra e o outro segura, e que quando entra mais dinheiro falta clareza do que fazer com ele.

Campa pergunta se o casamento também deveria ter um alvo, como a empresa. Carla diz que sim: "Na empresa vocês têm métricas, têm metas, tudo lindo. A família normalmente é uma bagunça". Ele resume: "Construir sem ter clareza é impossível. É tipo você planejar uma viagem sem saber o destino".

Casa e empresa são pilares da mesma vida

Campa conta o que ele e Cris perceberam nos empresários que acompanham: a maioria não tem vida fora da empresa. A justificativa é a falta de tempo, e para ele tempo é questão de prioridade. Ele costuma perguntar o que o dono faria se um fiscal aparecesse com uma multa pesada e prazo até o fim do dia para juntar os documentos. Ninguém diria que não tem tempo.

Carla compara a vida a uma teia em que negócio, saúde, filhos e relacionamento são pilares. Campa leva a imagem para a empresa, que também tem os seus. Se um estiver torto, diz, "ela pode até crescer, mas ela não vai te dar dinheiro e vai consumir a tua liberdade".

Momentos do episódio

  • 03:18 Marido e mulher podem tocar uma empresa juntos?
  • 06:56 Regras, limites e combinados na sociedade do casal
  • 12:49 Papéis, organograma e guerra de poder
  • 15:17 "Me convença": o combinado de Campa e Cris
  • 29:15 O caso do organograma invertido
  • 47:29 O teto de faturamento na história do Campa
  • 1:02:43 Tempo é questão de prioridade

Leia também Resistência de sócio: lidando com os problemas da empresa e Vida de Empresário: O que Realmente Importa?

Se você toca a empresa com o seu marido ou a sua esposa e não sabe qual pilar está torto, o convite do Campa no fim do episódio é fazer uma Reunião de Diagnóstico com um especialista da Viva Positivamente. Agende a sua reunião.

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